Entre a escolha bruta da vontade, deixa entrar os dedos, pedacinhos silenciosos de incerta intenção, dentro de mim a suspeita de querer, dentro de ti a língua ninfa deslizante quente, ruidosa da palavra desejo, penetra na alma deste profundo ensejo.
Um blogue que não e um blogue !Tambem não sei o que é , mas que dá para marcar jantares dá ! Apesar de às vezes ser dificil...Mas no fim consegue-se sempre
sábado, 11 de novembro de 2017
Vontade
Entre a escolha bruta da vontade, deixa entrar os dedos, pedacinhos silenciosos de incerta intenção, dentro de mim a suspeita de querer, dentro de ti a língua ninfa deslizante quente, ruidosa da palavra desejo, penetra na alma deste profundo ensejo.
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
O tempo não para

sábado, 30 de setembro de 2017
A terapia dos palavrões

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à
quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma
pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Liberta-me.
"Não queres sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vais querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,
foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos
extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário
de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos
mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua
língua.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a
ideia de muita quantidade que "comó caralho"?
"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão
matemática.
A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!
Entendes?
No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a
mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem
nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.
Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades
de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro
para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.
Solta logo um definitivo:
"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".
O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro
Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,
e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu
correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito
assim, põe-te outra vez nos eixos.
Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se
reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um
merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua
maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus
quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de
seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?
Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.
Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar
firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de
maior poder de definição do : "Fodeu-se!". E a
sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para
uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de
ameaçadora complicação?
Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor
num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo
assim como quando estás sem documentos do carro, sem
carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a
mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada
funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a
saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os
empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e
em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a
desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Mas não desesperes:
Este País … ainda vai ser “um país do caralho!”
Oiçam o que vos digo,)
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Disseste
Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
"Tu disseste" - Mão Morta
Falar com quem conhecemos acaba sempre por ser uma forma de falarmos de nós próprios. Falar do que quer que seja é sempre uma forma de falarmos de nós próprios...
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
"Tu disseste" - Mão Morta
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Ao mergulhar pense onde pode bater com a cabeça
Acho que damos pouca atenção àquilo que efectivamente decide tudo na nossa vida, ao órgão que levamos dentro da cabeça: o cérebro. Tudo quanto estamos por aqui a dizer é um produto dos poderes ou das capacidades do cérebro: a linguagem, o vocabulário mais ou menos extenso, mais ou menos rico, mais ou menos expressivo, as crenças, os amores, os ódios, Deus e o diabo, tudo está dentro da nossa cabeça. Fora da nossa cabeça não há nada...
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Relaxar é preciso

A vida é curta para perdermos tempo nos preocupando com o que não nos acrescenta em nada.
Nem sempre é possível perceber e se dar conta de que certas coisas estavam indo por esse caminho...mas quando percebemos, é hora de tomar uma atitude e mudar essa situação.
Não precisamos de ser perfeitos...precisamos é de viver mais, de verdade.
sábado, 1 de julho de 2017
Os pedantes

O pedante é um sujeito arrogante que faz questão de se envolver em ares de sabedoria superior. O pedante é um tolo pomposo que saiu para uma caminhada cerimonial sem saber que perdeu uma importante peça de roupa, ou seja, seu senso de humor. O pedante é um indivíduo enfadonho que, ao ter feito uma descoberta, fica tão impressionado com a revelação que é capaz de ficar seriamente desgostoso quando percebe que o mundo inteiro não se impressiona com o facto. Os pedantes sempre existiram ao longo dos séculos, mas que são uma praga, lá isso são.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Ser feliz consome-nos muito...

É assim tão longínqua a felicidade? No tempo, refiro-me à sua distância no tempo; em termos de perspectiva , não está longe nem perto, a felicidade é algo por que se espera, que se procura, e quando começas a cansar-te de esperar, o dono do local onde marcaste encontro com ela tem pressa em fechar o estabelecimento. À tua frente, a porta em direcção à qual ele te encaminha, e lá fora estende-se a noite que terás de enfrentar sozinho, a escuridão em que não queres mergulhar nesse negrume (isto metaforicamente falando).
Portanto escuridões à parte, a razão pela qual algumas pessoas acham tão difícil serem felizes é porque estão sempre a julgar o passado melhor do que foi, o presente pior do que é e o futuro melhor do que será.
sábado, 20 de maio de 2017
Braga Romana
As moedas romanas com imagens sexuais são conhecidas como spintriae e eram cunhadas em bronze ou latão no primeiro século da Era Cristã. O propósito de tais moedas não é ainda definido com clareza, mas especula-se que elas eram utilizadas nos bordéis em lugar das moedas usuais – que costumavam ter efígies de governantes. As spintriae foram encontradas em diversos locais diferentes que fizeram parte dos domínios romanos, o que sugere que eram amplamente adoptadas.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Janela da alma
“Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se
abrisse o mesmo livro, numa página nova.” Mário Quintana
Abro as portas da minha mente e deixo
fluir as luzes da imaginação pela janela da minha alma.
Abro as portas da minha mente e deixo
fluir as luzes da imaginação pela janela da minha alma.domingo, 9 de abril de 2017
Sacrificium
Esse lema está muito presente na sociedade moderna, que
incentiva a busca desenfreada pelo prazer, pela satisfação de todos os desejos,
representado pela “liberdade". Enquanto isso, o ser humano se torna cada
vez mais vazio e menos resistente à dor.
Na exigência de vida tudo é lícito, mesmo o artificial, e o
artificial é às vezes o grande sacrifício que se faz para se ter o
essencial, toda a espiritualidade é sobre aliviar o sofrimento.
quinta-feira, 16 de março de 2017
A palavra é tempo, o silêncio é eternidade.

O silêncio é, tanto quanto a palavra, um momento vital de partilha de entendimento, e no entanto muitas coisas, não vale a pena dizê-las. E muita gente não merece que lhes digam outras coisas. Isto faz muito silêncio.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
50 sombras de Grey à moda dos guardas prisionais

Durante um mês e meio, o guarda prisional Joaquim, duas a três vezes por semana, saltava um muro no interior da cadeia feminina e dirigia-se à vacaria. Aí, as reclusas Rosa e Rosalina, que habitavam um quarto nesta "ala" da prisão feminina, esperavam-no para o habitual animado serão, recheado com vinho e televisão. Joaquim, segundo confessou o próprio, gostava da Rosa, mas, de acordo com o auto de interrogatório, "nunca manteve trato sexual com a mesma". Sim, um guarda prisional diz "trato sexual". "Apenas conversavam, os três ou os dois, caso a reclusa Rosalina adormecesse", continuou. Porém, o depoimento desta última tramou Joaquim.
É que segundo Rosalina "a situação
vivida no quarto da vacaria era particularmente desagradável". A reclusa
não se referia, no seu depoimento, ao cheiro, mas sim ao facto de o guarda
Joaquim ir "a essas instalações para manter relacionamento de cópula
completa com a Rosa". Cópula completa, disse. Das duas uma: ou esta prisão
é usada exclusivamente para licenciadas em Direito ou as reclusas, em vez de a
"Nova Gente" ou a "Caras", preferem ler a "Colectânea
de Jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça".
Sucede que, ainda de acordo com o
depoimento de Rosalina, a tal cópula completa decorria no "exíguo
quarto" que ambas partilhavam, sendo que as camas de ambas estão separadas
por um escasso metro. Por isso, "para não ser incomodada e oferecer alguma
privacidade" ao casalinho, Rosalina, naquelas duas, três vezes por semana,
"tinha que permanecer deitada de costas" para o casal e "virada
para a parede". Ao mesmo tempo, "para não ouvir os ruídos da
intimidade" (ficamos a saber que a cópula completa provoca ruídos),
Rosalina recorria a uns "phones", os quais "tinha que manter nas
orelhas". Desta vez, falou claro. Disse "orelhas" e não
"canal auditivo externo". Perante os factos, em 1998 o ministério da
Justiça decidiu, após processo disciplinar, reformar compulsivamente Joaquim.
Este ainda recorreu para o Tribunal Central Administrativo do Sul, que manteve
a pena, num acórdão de 2001. Os juízes foram claros: Joaquim demonstrou
"incompreensão" do que é ser "funcionário". A este,
explicaram os magistrados judiciais, exige-se que "no local de trabalho"
apenas persiga a "satisfação do interesse público". Ou seja, está
vedada a cópula completa com interesses privados.
A triste vida sexual dos guardas
prisionais foi ainda abordada noutro processo, que chegou ao Supremo Tribunal
Administrativo em Outubro de 2006. Neste caso, os juízes tiveram que analisar
outra aposentação compulsiva de um guarda prisional de 2ª classe.
Encontrando-se escalado certo dia para fazer "vigilância" numa das
torres da cadeia feminina, o rapaz, porém, foi apanhado noutros preparos.
Tudo começou quando na noite de 3
de Março de 2002 a
reclusa "Maria" (chamemos-lhe assim) "deslocou-se ao
sanitário" da sua cela "a fim de satisfazer as suas
necessidades", lê-se. Resolveu então fumar um cigarro, pelo que correu a
cortina para abrir a janela. Neste movimento, avistou do lado de fora "um
guarda com as calças despidas até aos joelhos a masturbar-se em frente à sua
janela, tendo a metralhadora colocada no chão a seus pés". Ao aperceber-se
de "Maria" do outro lado da janela, o guarda "fez-lhe sinal com
os dedos junto à boca para que se mantivesse em silêncio". O acórdão do
Supremo refere que "Maria" ficou "indignada com o comportamento
do guarda" e alertou as outras guardas, não esclarecendo se a indignação
resultou da visão da masturbação ou da metralhadora aos pés. Pormenores...
Certo é que as guardas
dirigiram-se ao exterior da cela de "Maria" e lá estava o colega
"com as calças pelos joelhos, a masturbar-se, encontrando-se a
metralhadora junto aos pés". Pelo menos, a arma não desapareceu. As
guardas "chamaram o nome do colega", contudo este ignorou-as
"continuando nos seus propósitos". Tudo o que tem um princípio, tem
um fim, já se dizia na trilogia Matrix, nem que haja uma metralhadora ao pés,
acrescenta-se.
Respondendo à acusação, o arguido
argumentou que, ao contrário que lhe foi imputado, não estava a masturbar-se,
mas sim "teve necessidade de urinar", pedindo, em sua defesa, uma
"inspecção ao local para prova destes factos e circunstâncias".
Argumentou que a zona é de baixa visibilidade, logo nenhuma das testemunhas
poderia afirmar com certeza o que afirmou. Poderia, mas não fez, ter requerido
uma inspecção lofoscópica ao local. E aí, sim, todas as dúvidas seriam
esclarecidas após uma análise científica ao que restou daquela noite de 3 de Março
de 2002. Os juízes do Supremo mantiveram a reforma compulsiva. Mas no meio
disto tudo, ninguém quis saber da principal vítima: a metralhadora, talvez uma velhinha
G3, um modelo que, brevemente, será substituído. Mas aquela levará para um
qualquer ferro-velho ou museu o trauma de 3 de Março de 2002.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Amor e máscaras

A máscara cai...e no instante
seguinte não existe nada, fica apenas a desilusão, quem anda mascarado sempre
foi e será mascarado.
Tudo tem o seu lado bom, contudo
há desilusões e desilusões, mas algumas acabam por revelar a verdadeira
essência de alguém, que corresponde à tal queda da máscara.
Não gosto de máscaras, pois as
mesmas retardam o processo da evolução humana.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Tempestades...
“Para compreendermos o valor da âncora,
necessitamos enfrentar uma tempestade” Eleonor L. Dolan
Por
vezes é bom “usar” a roupa da tempestade, é um modo de dar tempero à vida, é
saber adaptar o nosso carácter às circunstâncias e ficar interiormente calmo,
apesar das intempéries exterioresterça-feira, 24 de janeiro de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Tempo de Renovação
Doze
meses dão para alguns seres humanos se cansarem e “entregar os pontos”, mas ai
entra o ciclo da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra
vontade de acreditar que daqui para diante tudo vai ser diferente.
A vida é uma
renovação constante, é pena algumas pessoas não perceberem esse detalhe e
viverem em função do que já foi ou será.
O contrário da
insatisfação é a prática revolucionária da renovação.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Paz na Alma

A paz de alma
“O dicionário Priberam define paz-de-alma como “pessoa muito indolente, pachorrenta ou pacífica”. É o “ou pacífica” que me deita abaixo. Já não basta que, na nossa língua e cultura, ser paz-de-alma seja uma coisa negativa. São só duas das palavras mais bonitas que temos: paz e alma.
Não basta que se juntem essas duas palavras para conseguir o que qualquer pessoa (por pouco realista que seja) quer: paz de alma, paz na alma. Não. Também pode querer dizer pacífico. Simplesmente pacífico, como se isso fosse uma coisa de somenos.
No Natal algumas pessoas de certos países que, como o nosso, têm a sorte de não estarem em guerra, são mais bondosas, tolerantes e pacíficas. Saltam-lhes logo em cima os apologistas do óbvio, com ocos lamentos que seguem sempre a mesma entediante lenga-lenga: “é pena que não seja assim durante todo o ano, blá blá blá, rebanho de hipócritas, beneméritos de calendário, blá blá blá…”
Com cada ano que passa nota-se menos esta atmosfera natalícia de paz e boa vontade. Se calhar houve muita gente que desistiu depois de tantas décadas a levar no coco por ser marcadamente menos generoso nos dias 24 e 25 de todos os meses do que hoje e amanhã. Se assim for, parabéns aos moralistas de ocasião - esses críticos devastadores do consumismo que se vêem nos shoppings a deitar fumo pela cabeça só porque os comerciantes conseguem vender mais umas camisolas.
Haja paz na alma de quem a possa ter. Nem que seja durante uma só noite. Nem que seja só por preguiça. Um bom Natal!"
*Miguel Esteves Cardoso
sábado, 10 de dezembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Não há porto sem farol
Faróis
Faróis distantes,
De luz subitamente tão acesa,
De noite e ausência tão rapidamente volvida,
Na noite, no convés, que consequências aflitas!
Mágoa última dos despedidos,
Ficção de pensar...
Faróis distantes...
Incerteza da vida...
Voltou crescendo a luz acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...
Faróis distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...
Vamos para longe e a luz que vem grande vem menos grande.
Faróis distantes ...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

De luz subitamente tão acesa,
De noite e ausência tão rapidamente volvida,
Na noite, no convés, que consequências aflitas!
Mágoa última dos despedidos,
Ficção de pensar...
Faróis distantes...
Incerteza da vida...
Voltou crescendo a luz acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...
Faróis distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...
Vamos para longe e a luz que vem grande vem menos grande.
Faróis distantes ...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Supermoon
"Que
haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da
primeira vez?"
O Eterno Espanto - Mário Quintana
Lua, a medida do eterno, em tua
rotação revemos nossa memória, pressentimos tudo o que não teremos e tudo o que já viveram corações
noutros tempos, meus olhos abandonam-se em ti em ecos da infância.quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Emoções...
“Há pensamentos sem emoções, mas
não há emoções sem pensamentos. Precisamos de ter esse conceito. Uma pessoa
pode pensar sem sentir, mas não sente sem pensar. As emoções são desencadeadas
pelos pensamentos, ainda que eles sejam inconscientes ou pouco perceptíveis.” Augusto
Cury

As emoções são intermináveis. Quanto mais as exprimimos, mais maneiras temos de as exprimir, por vezes a razão tenta impor-se, mas as emoções falam mais alto.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Coemeterium
“Cada um de nós traz no fundo de
si um pequeno cemitério daqueles que amou.”Romain Rolland

Todas as as decepções são secundárias…o único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos.

Todas as as decepções são secundárias…o único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Deleite
Sugar e ser sugado
pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o
gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
Carlos Drummond de Andrade
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
Carlos Drummond de Andrade
Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.
Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.
Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tua alma
Nua...
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.
Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.
Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tua alma
Nua...
sábado, 17 de setembro de 2016
Longas são as noites...

O mistério, a sedução, a mão que viaja
lentamente pelo corpo entre a penumbra, o silêncio do momento, a viagem
alucinante de prazer, afogo-me no âmago, desejando que não
chegue o amanhecer.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
“Os grandes espíritos são seguramente aliados da loucura, separam-nos finas paredes.” John Dryden

Temos tanta pressa de fazer algo, escrever, amontoar bens e
deixar ouvir a nossa voz no silêncio enganador da eternidade que esquecemos a
única coisa em relação à qual as outras não são mais do que meras partes: Viver.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Relaxar
Haja vontade, e calma…
domingo, 17 de julho de 2016
Prazer de viver
Perdemos muito tempo a não
vivermos no mundo a que pertencemos. Perdemos muito tempo sem olhar para tudo o
que existe à nossa volta. Para tal temos de ter o prazer de viver e não apenas o
de só existir.
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