quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Disseste

Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."

Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"

Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"

Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"  

"Tu disseste" - Mão Morta
Resultado de imagem para pintura de dois rostos tapados beijamFalar com quem conhecemos acaba sempre por ser uma forma de falarmos de nós próprios. Falar do que quer que seja é sempre uma forma de falarmos de nós próprios...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Ao mergulhar pense onde pode bater com a cabeça


Acho que damos pouca atenção àquilo que efectivamente decide tudo na nossa vida, ao órgão que levamos dentro da cabeça: o cérebro. Tudo quanto estamos por aqui a dizer é um produto dos poderes ou das capacidades do cérebro: a linguagem, o vocabulário mais ou menos extenso, mais ou menos rico, mais ou menos expressivo, as crenças, os amores, os ódios, Deus e o diabo, tudo está dentro da nossa cabeça. Fora da nossa cabeça não há nada...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Relaxar é preciso

Imagem relacionada


A vida é curta para perdermos tempo nos preocupando com o que não nos acrescenta em nada.
Nem sempre é possível perceber e se dar conta de que certas coisas estavam indo por esse caminho...mas quando percebemos, é hora de tomar uma atitude e mudar essa situação.
Não precisamos de ser perfeitos...precisamos é de viver mais, de verdade.

sábado, 1 de julho de 2017

Os pedantes

Resultado de imagem para imagens antigas de pedantes
O pedante é um sujeito arrogante que faz questão de se envolver em ares de sabedoria superior. O pedante é um tolo pomposo que saiu para uma caminhada cerimonial sem saber que perdeu uma importante peça de roupa, ou seja, seu senso de humor. O pedante é um indivíduo enfadonho que, ao ter feito uma descoberta, fica tão impressionado com a revelação que é capaz de ficar seriamente desgostoso quando percebe que o mundo inteiro não se impressiona com o facto. Os pedantes sempre existiram ao longo dos séculos, mas que são uma praga, lá isso são.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ser feliz consome-nos muito...

Resultado de imagem para imagens gifs de felicidade
É assim tão longínqua a felicidade? No tempo, refiro-me à sua distância no tempo; em termos de perspectiva , não está longe nem perto, a felicidade é algo por que se espera, que se procura, e quando começas a cansar-te de esperar, o dono do local onde marcaste encontro com ela tem pressa em fechar o estabelecimento. À tua frente, a porta em direcção à qual ele te encaminha, e lá fora estende-se a noite que terás de enfrentar sozinho, a escuridão em que não queres mergulhar nesse negrume (isto metaforicamente falando).
Portanto escuridões à parte, a razão pela qual algumas pessoas acham tão difícil serem felizes é porque estão sempre a julgar o passado melhor do que foi, o presente pior do que é e o futuro melhor do que será.

sábado, 20 de maio de 2017

Braga Romana

As moedas romanas com imagens sexuais são conhecidas como spintriae e eram cunhadas em bronze ou latão no primeiro século da Era Cristã. O propósito de tais moedas não é ainda definido com clareza, mas especula-se que elas eram utilizadas nos bordéis em lugar das moedas usuais – que costumavam ter efígies de governantes. As spintriae foram encontradas em diversos locais diferentes que fizeram parte dos domínios romanos, o que sugere que eram amplamente adoptadas.
557746_386405404818413_1758091653_n1184761_386405461485074_1361101480_n1184897_386405471485073_22498330_n1185148_386405481485072_408094019_n1185514_386405334818420_229996099_n1231667_386405348151752_1262327141_n1233484_386405388151748_1522248970_n1235490_386405391485081_710382534_n1239045_386405344818419_1536616771_n

                           

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Janela da alma

“Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro, numa página nova.” Mário Quintana
 Resultado de imagem para imagens gifs de janelas       Abro as portas da minha mente e deixo fluir as luzes da imaginação pela janela da minha alma.

domingo, 9 de abril de 2017

Sacrificium

Resultado de imagem para imagens de farricocos bragaPor vezes o corpo humano pode ser comparado a uma criança mimada, aquela que deseja ter todas as suas vontades satisfeitas e, mesmo que isso ocorra, ela ainda é irritadiça, preguiçosa e indolente. Assim é o ser humano, assim é o corpo humano.

Esse lema está muito presente na sociedade moderna, que incentiva a busca desenfreada pelo prazer, pela satisfação de todos os desejos, representado pela “liberdade". Enquanto isso, o ser humano se torna cada vez mais vazio e menos resistente à dor.  

Na exigência de vida tudo é lícito, mesmo o artificial, e o artificial é às vezes o grande sacrifício que se faz para se ter o essencial, toda a espiritualidade é sobre aliviar o sofrimento.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A palavra é tempo, o silêncio é eternidade.

Resultado de imagem para imagens gifs de silencio
O silêncio é, tanto quanto a palavra, um momento vital de partilha de entendimento, e no entanto muitas coisas, não vale a pena dizê-las. E muita gente não merece que lhes digam outras coisas. Isto faz muito silêncio.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

50 sombras de Grey à moda dos guardas prisionais

Resultado de imagem para gifs 50 sombras de grey

Durante um mês e meio, o guarda prisional Joaquim, duas a três vezes por semana, saltava um muro no interior da cadeia feminina e dirigia-se à vacaria. Aí, as reclusas Rosa e Rosalina, que habitavam um quarto nesta "ala" da prisão feminina, esperavam-no para o habitual animado serão, recheado com vinho e televisão. Joaquim, segundo confessou o próprio, gostava da Rosa, mas, de acordo com o auto de interrogatório, "nunca manteve trato sexual com a mesma". Sim, um guarda prisional diz "trato sexual". "Apenas conversavam, os três ou os dois, caso a reclusa Rosalina adormecesse", continuou. Porém, o depoimento desta última tramou Joaquim.

É que segundo Rosalina "a situação vivida no quarto da vacaria era particularmente desagradável". A reclusa não se referia, no seu depoimento, ao cheiro, mas sim ao facto de o guarda Joaquim ir "a essas instalações para manter relacionamento de cópula completa com a Rosa". Cópula completa, disse. Das duas uma: ou esta prisão é usada exclusivamente para licenciadas em Direito ou as reclusas, em vez de a "Nova Gente" ou a "Caras", preferem ler a "Colectânea de Jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça".

Sucede que, ainda de acordo com o depoimento de Rosalina, a tal cópula completa decorria no "exíguo quarto" que ambas partilhavam, sendo que as camas de ambas estão separadas por um escasso metro. Por isso, "para não ser incomodada e oferecer alguma privacidade" ao casalinho, Rosalina, naquelas duas, três vezes por semana, "tinha que permanecer deitada de costas" para o casal e "virada para a parede". Ao mesmo tempo, "para não ouvir os ruídos da intimidade" (ficamos a saber que a cópula completa provoca ruídos), Rosalina recorria a uns "phones", os quais "tinha que manter nas orelhas". Desta vez, falou claro. Disse "orelhas" e não "canal auditivo externo". Perante os factos, em 1998 o ministério da Justiça decidiu, após processo disciplinar, reformar compulsivamente Joaquim. Este ainda recorreu para o Tribunal Central Administrativo do Sul, que manteve a pena, num acórdão de 2001. Os juízes foram claros: Joaquim demonstrou "incompreensão" do que é ser "funcionário". A este, explicaram os magistrados judiciais, exige-se que "no local de trabalho" apenas persiga a "satisfação do interesse público". Ou seja, está vedada a cópula completa com interesses privados.

A triste vida sexual dos guardas prisionais foi ainda abordada noutro processo, que chegou ao Supremo Tribunal Administrativo em Outubro de 2006. Neste caso, os juízes tiveram que analisar outra aposentação compulsiva de um guarda prisional de 2ª classe. Encontrando-se escalado certo dia para fazer "vigilância" numa das torres da cadeia feminina, o rapaz, porém, foi apanhado noutros preparos.

Tudo começou quando na noite de 3 de Março de 2002 a reclusa "Maria" (chamemos-lhe assim) "deslocou-se ao sanitário" da sua cela "a fim de satisfazer as suas necessidades", lê-se. Resolveu então fumar um cigarro, pelo que correu a cortina para abrir a janela. Neste movimento, avistou do lado de fora "um guarda com as calças despidas até aos joelhos a masturbar-se em frente à sua janela, tendo a metralhadora colocada no chão a seus pés". Ao aperceber-se de "Maria" do outro lado da janela, o guarda "fez-lhe sinal com os dedos junto à boca para que se mantivesse em silêncio". O acórdão do Supremo refere que "Maria" ficou "indignada com o comportamento do guarda" e alertou as outras guardas, não esclarecendo se a indignação resultou da visão da masturbação ou da metralhadora aos pés. Pormenores...

Certo é que as guardas dirigiram-se ao exterior da cela de "Maria" e lá estava o colega "com as calças pelos joelhos, a masturbar-se, encontrando-se a metralhadora junto aos pés". Pelo menos, a arma não desapareceu. As guardas "chamaram o nome do colega", contudo este ignorou-as "continuando nos seus propósitos". Tudo o que tem um princípio, tem um fim, já se dizia na trilogia Matrix, nem que haja uma metralhadora ao pés, acrescenta-se.

Respondendo à acusação, o arguido argumentou que, ao contrário que lhe foi imputado, não estava a masturbar-se, mas sim "teve necessidade de urinar", pedindo, em sua defesa, uma "inspecção ao local para prova destes factos e circunstâncias". Argumentou que a zona é de baixa visibilidade, logo nenhuma das testemunhas poderia afirmar com certeza o que afirmou. Poderia, mas não fez, ter requerido uma inspecção lofoscópica ao local. E aí, sim, todas as dúvidas seriam esclarecidas após uma análise científica ao que restou daquela noite de 3 de Março de 2002. Os juízes do Supremo mantiveram a reforma compulsiva. Mas no meio disto tudo, ninguém quis saber da principal vítima: a metralhadora, talvez uma velhinha G3, um modelo que, brevemente, será substituído. Mas aquela levará para um qualquer ferro-velho ou museu o trauma de 3 de Março de 2002.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Amor e máscaras

"O amor arranca as máscaras sem as quais temíamos não poder viver e atrás das quais sabemos que somos incapazes de o fazer." James Baldwin
 Resultado de imagem para david ho


A máscara cai...e no instante seguinte não existe nada, fica apenas a desilusão, quem anda mascarado sempre foi e será mascarado.
Tudo tem o seu lado bom, contudo há desilusões e desilusões, mas algumas acabam por revelar a verdadeira essência de alguém, que corresponde à tal queda da máscara.
Não gosto de máscaras, pois as mesmas retardam o processo da evolução humana.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Tempestades...


“Para compreendermos o valor da âncora, necessitamos enfrentar uma tempestade” Eleonor L. Dolan

Imagem relacionadaPor vezes é bom “usar” a roupa da tempestade, é um modo de dar tempero à vida, é saber adaptar o nosso carácter às circunstâncias e ficar interiormente calmo, apesar das intempéries exteriores

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Parabéns Confrade Vlad Dracul.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Tempo de Renovação

Imagem relacionadaQuem teve a ideia de cortar o tempo em “fatias” a que se deu o nome de ano, foi alguém genial…industrializou-se a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para alguns seres humanos se cansarem e “entregar os pontos”, mas ai entra o ciclo da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante tudo vai ser diferente.
A vida é uma renovação constante, é pena algumas pessoas não perceberem esse detalhe e viverem em função do que já foi ou será.
O contrário da insatisfação é a prática revolucionária da renovação.